22 de ago. de 2007

PALAVRAS

Não ouvia, apenas falava.
Falava das coisas do mundo, das coisas que imaginava, como se aquilo fosse verdade.
Falava dos medos dos outros dos desejos que sonhava......
Mas pude observar, que não falava quase nada que importasse.
Talvez por ser imaturo, talvez por ser inocente, e sua inocencia não o deixava ver as coisas como elas realmente são.
Não se preocuva com a fome do mundo, nem com a tristeza das mães que sofrem por seus filhos......não percebia quase nada.
Passava desapercebido pela dor dos amores, o calor das paixões, não relatava nada sobre a fraqueza dos outros.
Jamais tivera contato com o mundo real, isolado em seu mundo cor de rosa, apenas falava.
Ao ouvir uma de suas falas, perguntei porque nunca para para ouvir o que as pessoas tem a falar?
Explicou-me que já ouviu muitas pessoas, já ouviu sobre todas as dores, e sobre todos os amores, disse-me também que de tudo que ouvira, nada importava.....eram apenas palavras, de sonhadores e sofredores, que após falarem, esqueciam de tudo, e rapidamente o que contavam, passava de sofrimento a meras palavras.
Assim, parei de ouvir epassei a falar, repetir tudo que ouvia....pois apesar de todas as coisas que me contam, o que sempre sobra são as meras palavras.

Nenhum comentário: